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Fracasso, fracasso, fracasso afinal…

03/09/2009

Fracasso. Malogro. Insucesso. Ato de fracassar. Todos nós em algum momento de nossa vã existência já nos confrontamos com essa palavra. E fugimos, evitamos, procuramos com toda a força de nosso ser mantê-la bem distante de nossos sonhos e metas. E quando nos deparamos com ela? Negamos. Ou até aceitamos, pra justificar uma futura vitória. Quantas vezes já nos pegamos dizendo: – O que importa é o aprendizado!

Sim. O fracasso tem o poder de nos tirar o sono, de assombrar nossas metas, de nos fazer ter cautelas às vezes exacerbadas, nos fazer perder a cabeça, causar stress, mas… e quando o fracasso é inevitável? E vou além: e quando o fracasso é inerente ao ser em questão?

Sim. Eu faço parte de uma elite, nem tão elitizada assim, porém mal vista, digna às vezes de pena ou de deboche. Sim. Eu sou um fracassado.

Ser fracassado é ter a consciência plena de que nada que possa vir a fazer é passível de dar certo. Não adianta a formação, grau de instrução ou capacidade de aprendizado. Nada disso adianta. A sorte, que é elemento bem visível em grande parte dos seres humanos, em alguns mais que outros, é irrealidade pura para seres como nós. Como se a ventura estivesse sempre com um sorriso sarcástico em seus lábios maviosos.

Ser fracassado é saber que já que não pode se contar com a sorte, ter a certeza de que não se deve perder tanto tempo se dedicando a qualquer atividade. Pois não será agraciada com o dom da concretização. Se der certo, é porque outros elementos foram envolvidos, provindos de outras pessoas. E não se alegrem, caros colegas, vai acontecer pra eles e até resolverem cansar de sua companhia.

Ser fracassado é acostumar-se a viver sempre à margem dos acontecimentos. Mendigar pequenas migalhas de atenção e se satisfazer com isso, pois é o máximo que poderá obter em sua vida medíocre. Geralmente faz parte do perfil do fracassado ser boa gente. Até porque eu nunca vi um ser rude e grosso ser fracassado. Isso é característica dos seres agraciados pelo acaso.

Como reconhecer um fracassado? Existem alguns eventos que se realizam de uma forma natural e espontânea: o indivíduo nasce, cresce, estuda, trabalha, se relaciona, procria, trabalha mais um pouco, cuida da prole, se aposenta, envelhece e morre. Essa é a lei natural. Não adianta reclamar, caro leitor, discordar e dizer que “prefere de outra forma”. Essa é a lei natural. Tudo que se acrescenta a mais é um “bônus” que a vida nos oferece. O fracassado não obedece a essa regra, tampouco à ordem e certamente é privado de algum ponto acima descrito. Tem problemas na infância, ou não consegue um bom trabalho, ou é um zero à esquerda em relacionamentos e muito menos tem a prole que deseja para perpetuar seus cromossomos (até porque é a seleção natural: por quê a natureza permitiria a multiplicação da “raça fracassada”?). Você se aplica em algum deles? Eu particularmente me aplico em vários.

Mas ser fracassado não é apenas ônus. É também saber que faz parte do grande sistema de equilíbrio do Universo, afinal, como já se cita sabiamente no dito popular: “para um rir, alguém tem que chorar”. Já pararam pra pensar que existem pessoas extremamente agraciadas pela boa mãe sorte? Os chamados “virados pra lua”. Ora bolas, se existem esses serem iluminados, por que não haveriam de existir os que estão fadados ao fracasso? É a lei natural. Sorriam e alegrem-se, caros mancebos!

Pensem bem, nobres amigos, às vezes a resposta pra tanta lamentação, injúria, depressão e inquietação está na incapacidade de assumir a condição de fracassado. Não perca mais tempo brigando contra as leis naturais. A aceitação dessa condição é o caminho mais digno. Não desperdice ao menos isso, pois ao fracassado resta ao menos uma coisa: a dignidade.

Sejam bem vindos ao fracasso!

(E que o último a sair apague a luz…)

02/02/2009

Falta coragem.

Falta certeza.

Com a mesma facilidade que vem o riso, chega o choro…

Algo não está certo!

Falta ação.

Sobram vontades, planos, sonhos…

Falta ação!

01/08/2008

Me ensina a esquecer que um dia gostei de você…

Que fiz planos e tive sonhos…

Me ensina a viver fora do conto de fadas…

Acordei e não quero mais dormir…não quero sonhar!

 

 

 

Cir/cu/s II

24/07/2008

Desde o dia em que virei trapezista eu não durmo mais em paz. Sonho com planícies, chão de paralelepípedos, declives acentuados, asfalto esburacado, escada rolante de shopping center para baixo, lona, tábua de passar roupas, cama de pregos, Isaac Newton e você, minha esposa e assistente de mágico, ilusória, montada em cima de mim, desaparecendo de uma vez após um breve orgasmo.

Nonsense

21/07/2008

A banda alemã Dunkle Macht (1980-1982) é considerada, por muitos estudiosos do rock ‘n’roll, uma das mais revolucionárias de todos os tempos. O quarteto, formado por Andreas Kuttner, Karl Göbber, Maik Üller e Sven Klauswassen, surpreendeu o cenário underground de Berlim Ocidental com seu som ultrapesado e sua formação, completamente fora dos padrões do heavy metal oitentista: Andreas no bombardão, Karl no trombone de vara, Maik nos saxofones alto e soprano e Sven no vocal e no flautim. O som do Dunkle Macht foi batizado pela mídia como schlag metall (metal de sopro) e tinha tudo para dar certo, mas infelizmente a carreira promissora do grupo foi interrompida por um grupo de skinheads, que espancou o quarteto até a morte no camarim da boite Große Wurst, logo após sua primeira e única apresentação. Os poucos fãs do Dunkle Macht ainda visitam o pequeno monumento erguido em homenagem à banda na Potsdamer Platz e lá depositam flores e instrumentos de sopro, no aniversário da tragédia.

Coisas de casal

20/06/2008

- Amor?
- Sim, querida?
- Podia me trazer um rolo de papel higiênico? Acabou aqui no banheiro.
- Já vou levar, bem. Deixe-me só colocar uma…
- Ok!
- … camisa… ué?
- O que foi, amor?
- Querida, cadê a minha camiseta?
- Qual delas, amor?
- A minha camiseta! Aquela camiseta do Uriah Heep.
- Ah, meu bem… aquele trapo?
- Querida, eu não estou encontrando a minha camiseta…
- Não sei porque você gosta tanto daquela coisa velha, Antônio Carlos.
- Meu bem, onde está a minha camiseta?
- Eu joguei fora.
- Como foi que você disse? Pensei ter ouvido você dizer que tinha jogado fora minha camiseta.
- Joguei fora! Passou um rapaz pedindo roupas velhas e eu dei a ele.
- Jesus amado, Maria Fernanda! Você deu a minha camiseta preferida sem me consultar?
- Ah, pára de show, Antônio Carlos. Aquele… troço, estava todo ruço e desfiado, a gola toda puída…
- A minha camiseta autografada do Uriah Heep, Maria Fernanda? Você deu a minha camiseta autografada?
- Era praticamente um pano de chão e você sabe disso. Dei mesmo, porque eu não agüentava mais vê-lo andando maltrapilho por aí. Você acha que eu gosto de ver o meu marido andando por aí como um mendigo? Antônio Carlos, eu só quero o melhor para você… e vamos esquecer essa droga de camiseta? Pode trazer o papel higiênico, por favor?
- Ok, ok… papel higiênico. Aqui está.
- Muito obrigada. Um dia você ainda vai me agradecer e… ei, ei! O que é isto? Antônio Carlos! Isto não é papel higiênico, é a nossa certidão de casamento!
- E existe papel mais importante no mundo, Maria Fernanda? Eu só quero o melhor para você…

A tempo de escrever… Há tempo para escrever

09/06/2008

 

O tempo passa. Para uns, passa lento e suave. Para outros, rápido e intenso . Passa. E enquanto se vai, coisas acontecem. Pessoas vêm e vão. Planos se realizam ou não. Enquanto isso, o tempo passa.

O tempo é indiferente. Indiferente aos planos de ano novo, aos projetos de vida, às prestações do banco, a tudo que tem vencimento. Indiferente. O que importa é continuar, riscar um dia, dar uma volta com o ponteiro, jogar uma folhinha no lixo.

Assim é o tempo. Intenso, calmo, lento, suave, indiferente. Depende do tempo, depende dos planos, depende da data, depende da validade. O que importa é que ele passa, quer você queira, quer não.

Não deixe que ele passe em branco. Preencha seu tempo com o que lhe dá prazer. Escreva sua história no tempo em que ela deve acontecer. A tempo de escrever… Há tempo para escrever.

Sempre.

Há um ano, escrevi no Mondo pela última vez. Felizmente, o tempo me deu mais uma chance…

 

to do list

09/06/2008

1. desprender-se das coisas. deixar com que elas vão embora. com que as pessoas tomem seus próprios rumos.

2. saber que estar sozinha é apenas mais uma fase. mais uma fase para conhecer a si mesma. e provavelmente uma longa fase, pois é preciso muito tempo para se conhecer.

3. saber que planos não devem ser feitos. nunca. deixar tudo na mão do destino. esquecer-se do amor. endurecer na queda. acreditar que um dia de cada vez é a melhor coisa que pode acontecer. lembrar que corações feridos costumam ferir também. muito mais do que corações saudáveis.

4. não abrir a guarda para chavões e cantadas antigas. parar de achar que beijos são a porta para relacionamentos. lembrar que sexo só é bom mesmo quando se está de plena consciência que não irá durar – muito diferente de fazer amor. a

5. gir um pouco mais com a cabeça,e menos com o coração – e me lembrar sempre do quanto isso é quase impossível.

6. querer gente de verdade perto.

7. me alimentar de presente. libertar-se do passado.

8. escrever quantas vezes for necessário: eu me amo.

Amo ela

12/12/2007

Unimos as palmas da mão em sinal de fé
Como Eva e Adão, sós
Ela, fé de mais
Eu, fé de menos
Se pôs a declamar o nosso hino
Eu pensava…
…como ela trina bem a guitarra
…como ela transformava em prosa
A poesia repleta de cacofonia que saía da boca dela
Essa fada cantante, adorável
Para quem, a essas horas, já havia dado meu amor
Vou-me já, e declaro também
Amo ela! Amo ela!

Dia-a-dia

01/12/2007

Todos os dias, as obrigacoes
As decisoes, preocupacoes
O tempo correndo, correndo, correndo
E eu perco tempo pensando
Em tudo que deveria estar fazendo
E que nao faco porque me engano

Todos os dias, o cansaco
A preguica e o mormaco
Que seria nao fosse o frio
E as palidas coisas que adio
Como a neve congelando o chao
E clareando noites frias em vao

Todos os dias, a saudade
Cansada da vida, com maldade
Refazendo o tear da rotina
(Tao amolada guilhotina)
Empurrando com a barriga
Essa minha longa e fatigada vida