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No tempo de um beijo no rosto

03/11/2006

Ele sorriu para ela como se fossem dois estranhos. Ela retribuiu. Com um ar “sem-graça” ela se dirigiu a ele e o cumprimentou, sentindo o peso da obrigação de fazê-lo. Ele até que a recebeu agradavelmente, e no curto espaço de tempo de um beijo no rosto, assim mesmo, sem palavras, aquela antiga e arrebatadora paixão de outrora faiscou nos olhos e nos corações de ambos.

O corpo dela se aqueceu como que tomado por uma febre súbita. O dele estremeceu. Naqueles poucos instantes em que estiveram próximos depois de tanto tempo, sentiram-se novamente pertencentes um ao outro.

O perfume dela inebriou os pensamentos dele. A textura de sua pele o fez sentir o mundo rodar. O toque das mãos dele em seus braços a fez sentir como se flutuasse. O calor de seu hálito a enrubesceu. Várias recordações passaram pela mente dos dois. Da primeira vez que se viram na praia, no verão de três anos atrás. Do primeiro beijo no píer do hotel na noite enluarada. Do dia em que conheceram os pais um do outro. Da primeira vez que passaram uma noite juntos. Da primeira briga por motivos bobos. Dos planos para o resto da vida. Dos nomes que escolheram para os filhos que gostariam de ter. Dos aniversários, natais, festas de fim de ano. Da sempre constante atração sexual. Das loucuras, dos ciúmes. Todo o passado recente e maravilhoso de duas vidas tornadas uma lhes iluminou naqueles poucos instantes, no tempo de um beijo no rosto.

O ato de amor maior do Sr Hildebrando

30/08/2006

Sr Hildebrando passou toda a maior parte de sua vida acumulando riquezas. Trabalhou duramente desde a mais tenra idade para conseguir conquistar todos os seus sonhos de consumo. Sonhos estes que ía cada vez mais depositando sobre objetos cada vez mais extravagantemente caros.

Possuía uma coleção invejável de quase tudo o que há para se invejar neste mundo.

Porém, faltava algo para que “Seu” Hildebrando se sentisse plenamente feliz. Faltava-lhe amor.

Um dia, por um motivo específico que não vale a pena contar (pelo menos não por agora), “Seu” Hildebrando decidiu reunir em uma viagem espetacular em um de seus espetaculares navios, todas as pessoas que lhe pareciam, de algum modo, especiais!

Convidou a todos os membros de sua família por quem possuía profunda admiração – propositadamente, Hildebrando esqueceu-se daqueles entes de quem não gostava nem um pouco – , os amigos que sempre lhe apoiaram e acompanharam (desde as mais remotas aventuras), os funcionários mais competentes, os artistas mais talentosos, enfim todas as pessoas deste mundo que ele gostaria de ter sempre a seu lado.

O Convite especial foi entregue em mãos pelo comboi de mordomos e motoristas, especificamente contratados para a nobre missão. Era confeccionado em papiro à maneira dos antigos, e as letras nele contidas eram bordadas em ouro por artesãos escolhidos a dedo: irrecusável!

E assim, o foi! No dia marcado por “Seu” Hildebrando, compareceram ao porto todas pessoas mais queridas pelo excêntrico milionário, enquanto câmaras fotográficas e de TV, além dos ausentes da lçista de convidados, registravam todo o embarque pomposo e festejado por inúmeros fogos, que fariam Copacabana delirar.

Os passageiros eram recebidos por uma tripulação impecável composta por jovens e belos rapazes e moças oriundos de toda a parte do planeta, para “agradar a gregos e troianos”, conforme o anfitrião repetia sorridente.

Já a bordo, foi servida a primeira refeição, eram doze pratos, desde a primorosa entrada até a requintada sobremesa, passando por carnes variadas e apetitosas, saldas refrescantes, sopas acolhedoras e massas “de lamber os beiços”.

Tudo acompanhado dos melhores vinhos, espumantes e brandies momo mandava a tradição da culinária francesa dos tempos de VAtel e Luiz XV.

Havia até uma pequena reprodução de Versailles no restaurante gigantesco do transatlântico.

Após a refeição, a diversão! Um baile primoroso ao som de diversas danças típicas tocados por uma banda formada pelos melhores instrumentistas vivos da época.

As damas apresentavam-se vestidas, penteadas, maquiadas e perfumadas com extremo bom gosto para o deleite dos cavalheiros. Estes, todos “emping”uinzados” para deixar todo o brilho a elas, “como manda o figurino”.

A festa durou até altas horas da noite, quando “Seu” Hildebrando interrompeu a música para um breve discurso, aplaudidíssimo, no começo.

- “Meus queridos e amados! Durante quase toda a minha vida, minhas grandes preocupações resumiam-se em acumular todos os bens materiais que me parecessem, nem que por apenas um breve momento, interessantes! E, como todos podem observar nesta gloriosa noite: fui bem sucedido neste peculiar propósito!”

“Porém, flatou-me algo! Faltou-me acumular um bem que não se compra: o amor!”

“Por isso, reuni-vos aqui esta noite, para acumular todo o amor a mim possível neste mundo, neste momento que me é tão assombroso.”

“Caros amigos! Descobri recentemente um mal terrível em meu organismo, que me levará desta vida definitivamente!”

Aqui, Hildebrando faz uma pausa propícia para o “Oooohhh!!!” que se seguiu. E, emocionado, prossegue:

- “Sim, muito pesaroso! Contudo, nestes últimos dias andei observando com amis interesse esse mundo em que vivemos, e percebi desastres tenebrosos! Guerras violentas, assassinatos sangrentos e um profundo desrespetido pela vida!”

“Por isso, tomei esta decisão de trazer-vos até aqui hoje e com todo o amor que carrego em meu ser, presentear-vos com o maior dom divino: A MORTE!”

Fez-se um silêncio espantoso e espantado, expressões cobertas pela dúvida espalharam-se por todo o salão. Não houve tempo para pânico, às exatas 00:00 horas, ao soar das 12 badaladas do imenso relógio-cuco do saguão, o navio do Sr. Hildebrando explodiu, levando com ele todos os seres que ele mais amava na vida.

13/07/2006

I’m affraid of death
I was curious
Curious about that
I’ve tried a lot of times
I’ve tried a lot to find the true
People said I’m crazy
I’m down
Suicidal
But I was just trying to find the true
The true about death

Feridas da Alma

02/07/2006

Era de se esperar que aquela fúria interna que mantinha explodisse em algum momento, de preferência inoportuno, e a transformasse de mulher tranquila em monstro degenerado isolada na dor dos seus arrependimentos.

E aconteceu como nunca imaginara, ou como sempre desejara inconscientemente, mas de uma forma mágica e realmente modificadora, que transmitiu ao mundo toda aquela angústia há muito enrustida e espremida dentro de um ser não tão pequeno, porém nem muito grande para contê-la por muito mais tempo.

Foi de toda uma intensidade que não sobrou mais espaço para histórias a serem contadas, acabou de vez com vidas inteiras, porém não era tão imprevisível já que tudo o que é vivo tende a morrer algum dia.

A morte para alguns é uma espécie de salvação, e foi assim que procurou encarar como sua rendição depois de tanto tempo desperdiçado com bobagens necessárias e cansativas.

Agora o mundo era só dela, e os desafios ainda maiores para que superasse o fato de ser sua maior e principal vítima.

Agora era enfrentar tudo de cabeça erguida e pagar as contas daquela explosão, além das contas do mês que chegam antes do fim do mesmo e levam todos os sonhos embora.

A vida enche! Bom que a gente morra aos pouquinhos!

Jogos de Guerra

25/06/2006

JOGO: WAR
OBJETIVO: CONQUISTAR 280 TERRITÓRIOS
JOGADOR: GEORGE W. BUSH

Maldita

10/04/2006

Desde a primeira vez que me vi assim
Tão distante da realidade e da normalidade
Desde que me tornei o que sou, maldita
Desde que me vejo assim
Não tenho tido tempo pra fazer o que você faz
Não tenho tido tempo pra pensar no que lhe dizer
Pra que você procure me entender
Porque não é isso que eu espero de você
Eu espero que você desapareça da minha frente
E me deixe viver minha vida em paz!

Redescoberta

23/03/2006

Cheiros, toques, viagens, lembranças
É bom saber que se tem história
É bom lembrar que se tem memória
Perdidas pela casa afora

Os sentidos se aguçam em busca de mais
Em busca de sentimentos pessoais
Daqueles que dividem este lar

E o encontrado é o comum
O que já sabia, mas não lembrava
O que não entendia e ninguém explicava
O que era rotina e virou saudade

Da dupla personalidade!

25/02/2006

Por vezes cheguei a pensar estar enclausurada dentro de algo irreal, que era totalmente vazio e puramente mágico. Mas, esta magia era perturbadora, afinal, sempre fui grande fã da realidade.
Porém, este mundo fantástico me desprendia de temores reais que sempre assisti. Esta utopia me tornava personagem da minha própria vida. Era com se houvessem duas pessoas presas em um único corpo. E este era pequeno demais para ambas. Como morar com alguém indesejável que sempre se intromete nos seus assuntos.
Esta briga incessante pelo domínio, esta guerra quase que permanente tiravam meu sono. Era preciso que uma delas fosse eliminada. E qual? A mais fraca, claro!
Prós e contras pesados aprendi que ambas eram fortíssimas e que esta disputa seria incessante, talvez eterna.
Então, enveredava eu por caminhos obscuros atrás de uma, e por pátios iluminados acompanhando a outra.
Fazia, dizia e via coisas estranhas, macabras, horrendas, assustadoras e temíveis. Tanto para uma quanto para outra.
E o que percebia-se dessa jornada era a infelicidade que esta inimizade me causava. Vivia em estado de leve torpor, pois era difícil identificar quem vivia em mim a cada momento. Resolvi deixá-las de lado. E deixei-as.
Mas cada uma delas era eu em essência e espírito. Então deixá-las era deixar de existir. E a existência era então meu único prazer.
Escolhi a vida, e essas duas que se entendam!

Além da Verdade e da Ilusão

18/02/2006

Não respeito quem me destrata
eu não quero cometer outra burrada
Tenho medo do futuro que me aguarda
Tenho ódio do tempo que perdie que não volta.

Eu só tenho paz com meus amigos.
Não há mais motivos para não sorrir.
Tenho tudo o que preciso
Mas ainda quero ter alguem que seja só meu.

Não sei se já amei algum dia
Não dá pra ter certeza de nada que se sente.
A verdade ´pe que nunca saberemos
e a vida existe mesmo
Ou se estamos fora da realidade
Há mentiras por toda a parte

De ilusão se faz o mundo
Só se está perto da verdade
Quando você fecha os olhos
E não vê mais nada
Além de suas pálpebras fechadas.

Matei o Tempo

27/01/2006

Quem me pediu pra esquecer
Quem me implorou pra dizer
Quem me forçou a fazer
Quem me mandou desfazer

Todos vão correndo e o tempo passa
Todos se atropelam e o tempo nunca para

Vou mandar matar o tempo
Vou quebrar o seu lamento
Vou tentar te deixar ir embora

Quem me prometeu mentir
Quem me ajudou a sorrir
Quem me impediu de partir
Quem me matou sme pedir

Todos vão vivendo e o tempo voa
Todos vão morrendo e o tempo continua

* Primeiro poema meu musicado, pelo meu amigo Maiko