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Amarelinha

06/11/2007

Alego reticente

A vossa senhoria

Que não há mal intento

Em minha cantoria

Se há ledo engano

De fato não haveria

Ao som desse canto

Toda noite todo dia

Se de ti fosse eu

E você minha alegria

Secaria meu pranto

Romperia o encanto

Encolheria num canto

E jamais cantaria

Manifesto Minimalista Contemporâneo

01/11/2007

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Heartbyte

18/10/2007

Almendra – Ana No Duerme

A arte desmistifica a vida. Destrói a imagem imaculada e sorridente envolta em rabiscos imperfeitos de sóis amarelos, iluminando verdes campos e casinhas de sapês.

A arte dá à vida os filmes humanistas de guerra, as fúnebres canções de amores perdidos, as poesias malditas, as impressões imprecisas de Monet, as tragédias dramáticas de Shakespeare… E assim a arte está para a vida não como um imitador barato, senão como seu próprio criador. Porque não há mais sentimento sobre a linha do horizonte, ao som do mar e a luz do sol, que dentre quatro paredes, sob um bolero portenho e ao calor nativo do peito.

Computadores fazem arte quando nossa alma é virtual.

Série: O Diretório Acadêmico – Apresentando os personagens

26/09/2007

Presidente: Carlos Marques

Curso: Ciências Sociais

Carlos é o típico vermelhinho, marxista-leninista, embora sempre confunde-se em suas citações, que em noventa porcento dos casos remetem a Bakunin e até a Maquiavel. Chegou ao campus, há cerca de oito anos, para cursar Biofísica, mas entre uma teoriazinha da relatividade aqui e um baseadozinho ali, começou a filosofar. Começou leve, pequenas citações socráticas… Mas logo foi dominado de súbito pelo espírito de Rosseau, e passou a delirar sobre idéias de um mundo perfeito, com educação exemplar, e uma sociedade igualitária. Foi nessa época que recebeu por e-mail um PDF com a íntegra do Manifesto do Partido Comunista. Aí, não tinha mais volta. Deixou a barba crescer, comprou sua primeira camiseta com a estampa do Che, liderou algumas revoltas contra professores, como representante de classe, até que, após uma ríspida discussão sobre os valores sociais das cobaias de laboratório, decidiu transferir-se para um curso de Humanas.

Ele ainda estava no ínicio do segundo ano de faculdade quando tomou a decisão, mas o repúdio de seu pai foi tamanho que decidiu cortar a mesada do filho. Carlos não esbravejou, senão por um discurso de desapego material, onde chamou seu pai de “burguês opressor”. Perdeu também o dinheiro para o aluguel da república. Nada que abalasse as convicções do jovenzinho, afinal, a comida do bandejão e um pequeno espaço no alojamento era só o que ele precisava naquele momento.

No curso de Sociais, Carlos encontrou-se. No entanto, seu espírito intempestivo continuava a lhe causar problema com os professores, e agora isso tinha impacto direto na nota. Além disso, ele estava interessado mesmo era nas atividades extra-classe, e foi assim que começou a formar sua força de liderança estudantil. Tinha discurso eloqüente, embora comumente sonolento e invariavelmente idealista demais. Ajudava a ele o seu charme e, a despeito das barbas, sua elegância. Era popular entre as estudantes, sobretudo as bixetes. Como ele obviamente nunca daria conta de todas, apesar de sua fama de pegador, o grande número de mulheres que o rodeavam atraía também aos homens, que aproveitavam a oportunidade para escapar da sala de aula.

Logo, sua chapa estava formada, basicamente composta por bixos-vermelhinhos-em-potencial, jovenzinhas recém-encantadas e a rapaziada do truco.

(no próximo capítulo, a 1ª Secretária, Simone de Brito)

Volei – Eles não eram de nada

18/07/2007

[Gold medal point]

Ele, o melhor jogador do campeonato, no saque, tem a chance de fechar a disputa. É o ponto de ouro. O cabelo ainda arrumado contorna o semblante sério, concentrado, e sereno. Recusa, com educação, a toalha oferecida pelo apanhador de bolas. Agarra a bola com uma só mão, segurando-a para baixo, com se tivesse cola entre os dedos. Mantém-se ereto e sombrio, enquanto encara e escolhe o adversário, a quem gosta de chamar de vítima.

Enfim, atira a bola para o alto, e avante. Do alto de seus 2,10 metros, só precisa um passo para, então, impulsionar-se para cima, fazendo com que sua mão fique a 4 metros do solo. No ar, voando, cerra o punho, para dar velocidade ao braço, e gira-o por mais de 180 graus, atingindo a bola quase que de cima para baixo. A bola, no entanto, contrariando a lógica, inicia sua trajetória em ascendente.

Pouco antes da linha da rede, quando a bola inicia sua curva descendente, a velocidade da mesma já chega a 210 Km/h. E desce quase que em linha reta, tamanho o efeito tomado. No meio da quadra, já não há adversário. Estes contornam o lado da quadra, evitando o confronto com o míssel oponente.

A bola atinge o chão com tal energia, que na subida atinge o placar eletrônico, disposto no alto oposto da quadra, e que naquele momento marca:

Brasil 25 x 0 Polônia

O Brasil fecha o jogo em 3 a 0, sagrando-se campeão olímpico de 2028, conquistando o ouro pela sexta vez, terceira dessa geração, que supera definitivamente a geração de Ricardinho, Giba, Ricardinho, Dante, Gustavo, André Nascimento, Rodrigão, Anderson, Marcelinho, Murilo, André Eller e Samuel.

O que penso de você

10/05/2007

É puro e escuro

É claro e raro

É singelo e belo

É casto e vasto

É viril e gentil

É vital e carnal

É pleno e sereno

É quente e latente

É chão e paixão

É perto o incerto

É nobre certeza

É certa nobreza

É giz aprendiz

É mudo desnudo

É sério mistério

É fado adorado

É fato recato

É festa modesta

É foz atroz

É peito

É leito

É trilho

É brilho

É moderno

É eterno

É esmero

É sincero

É meu

É seu

É nosso

No bebas la tequila

06/04/2007

La Tequila

No bebas la tequila
beba mi vino santo
Sí, todo amor es santo

No bebas la tequila
beba mi sangre caliente
y deja tu porción conmigo

No bebas la tequila
te entorpezcas con mi sangre
me embriagues con tu veneno

No bebas la tequila
beba más de mí

De volta à vida real

26/02/2007

O retiro do final de semana renovara seu espírito. Acordou mais cedo, com disposição invejável, deu bom dia a todos em sua casa (o que nunca fazia), e foi a pé ao trabalho. No caminho, recordava cada momento de intensa meditação e todas as palavras que ouvira. Sentia que tudo seria diferente daquele momento em diante. Havia paz inabalável em seu coração. Havia fé de que poderia fazer um mundo melhor, e começaria pelo mundo das coisas ao seu redor.

O bom humor era tanto que não se aborreceu com o motorista que quase o atropelou ao sair da garagem, nem com um cão vira-lata que abruptamente avançou sobre seu calcanhar. Manteve a serenidade que só uma alma renovada pode conduzir, quando chegou ao trabalho e deu de cara com a porta fechada. Não se importou com o olhar curioso do padeiro, que nunca o vira tão animado e falante. Conseguiu ser cordial até com o chefe, a quem nutria sentimentos menos amáveis, e que o recebeu com insultos pelo “atraso”.

- Não, eu não atrasei, é que…
- Cala a boca e começa a trabalhar.

Logo percebeu que o mundo “aqui fora” continuava o mesmo, mas ele não. Poderia ouvir a grosseria que fosse que estava bem consigo. Tinha amor para todos. Em especial para Clarisse, que sempre ligava na hora do almoço. Menos aquele dia.

A alegria da manhã se dissipou um pouco pela falta da namorada, sem contar a chuva que o pegou de surpresa na saída do banco, onde foi solicitar um empréstimo para sanar algumas dívidas. Mas ficou melhor ao perceber que reagiu com calma e resignação aos problemas. Decidiu que começaria a procurar um novo emprego ainda naquela semana, e talvez um curso profissionalizante. Havia esperança em seu coração.

Teve vontade de dizer um palavrão quando voltou ao trabalho e o chefe lhe prometeu descontar o dia pelo atraso de mais de meia hora. Segurou firme, lembrando-se de como queria agir bem com tudo e com todos. Aceitou o desconto sem explicar que passou mais de uma hora na fila para pagar uma conta da empresa.

Agradeceu quando se aproximou o final do expediente, mas isso antes de receber o telefonema de sua mãe, que pediu que ele fosse buscar sua irmã mais nova na escola.

- Mas eu não vim de carro, mãe.
- Vá a pé! Você está precisando andar mesmo, está muito gordinho.

Ele não estava com a menor paciência para buscar a irmã, e a palavra “gordinho” foi o último tiro no seu bom humor. Mas foi. Pegou a pequena, que tagarelava sem parar, e antes de ir para casa, resolveu passar a limpo o problema com a namorada. Foi à saída do trabalho dela. De longe, a viu no carro de um colega de trabalho, trocando gracejos. Havia rancor em seu coração.

Apesar da fúria, resolveu não agir. Voltou para casa, cabisbaixo, e ainda tendo que agüentar a pirralha tirando onda com o que vira.

Chegou em casa com muita fome, mas não havia nada na geladeira ou na despensa. Também não teve vontade de ir até a padaria. Sentou-se em frente à TV para ver o noticiário esportivo do fim de semana, já que ainda não sabia os resultados da rodada.

- Crise no Corinthians. Já são cinco jogos sem vencer, e….

Quebrou a TV, sentou e chorou. Havia raiva em seu coração.

Carta a um Anjo

11/01/2007

Anjo,

Resolvi escrever-lhe, como prometera antes de sua partida, muito embora ainda não tenha entendido o real motivo de sua vinda.

Lembro-me quando lhe avistei pela primeira vez. Mal pude notar a auréola que lhe adornava, pois sua beleza, sua plena beleza, sobrepujava a tudo. Também jamais poderia imaginar que viria a mim. Foi quando o anjo cinzento, que eu já conhecia, lhe trouxe até mim, ou me levou até você – até hoje não consido distinguir se meu espírito se elevara ou fora o céu que me buscara. Naquele momento, um toque sublimar tirou-me de mim, de onde estive ausente poucas duas ou três semanas.

Tinha relva no céu e nuvens no chão. Tinha flores em ti. Tinha orvalho em meus olhos e brisa em meu peito, que soprava ligeiro e suavizava a tormenta da minh’alma.

Rápido e perene. Como num passe de mágica, você surgia, me encantava, desencantava e sumia. E cada hora passada parecia muitas. Mas hoje, quando me lembro, tenho a nítida sensação de que cada minuto era meio, e cada segundo era o último.

Você é um anjo, deve ter sido a última coisa que lhe disse. Mas faltava o céu a você, e faltava a terra a mim.

Então, veio o anjo cinzento, e tinha interrogação nas palavras. Tinha orvalho nos olhos. Tinha doença em ti. Tinha pouco de mim em mim.

Crêem meus botões que tudo não passsou de zombaria do anjo cinzento, que lhe criou e descriou a seu próprio vento. Mas eu não sei. Creio em ti, assim mesmo, como um anjo que veio e que foi. Afinal, para mim os anjos são assim. Surgem, urgem, afagam, encantam, e vão, e sobem, e somem, sem sequer terem existido.

Curso de Caça a Dragões

28/12/2006

Fazer um curso de humanas é como aprender a caçar dragões. É isso mesmo! Você passa quatro ou cinco anos lá, aprendendo todas as técnicas pra matar um dragão, a melhor lança pra acertá-lo, a anotomia do bicho, pra lança ir direto ao coração… E toda a teoria que precisa para ser um bom caçador de dragões.

Cinco anos são suficientes, mas normalmente em quatro você já sai um ótimo caçador de dragões. Aí se forma e vai a caça de alguns dragões pra poder aplicar suas técnicas.

O problema é que andamos em períodos com uma certa escassez de dragões, então, o estudante de hum… perdão, o nosso caçador de dragões só tem uma alternativa viável: voltar e treinar novos caçadores de dragões. E assim segue o ciclo sem fim.

Colaboração: Piter Punk
Fonte da imagem: http://www.revistaesoterica.com.br/metodo_oracoes/saojorge.jpg